quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entender a abrangência da mensagem de Deus

Vamos analisar uma maravilhosa experiência que os discípulos de Jesus tiveram durante uma tempestade no mar da Galileia e que foi e relatada por Mateus (Mt 14,22-33). E, para começar bem nossa análise, vou repetir uma frase do Senhor Jesus: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!” (Mt 14,27).

Essa frase do Senhor Jesus foi dita em um momento onde os discípulos estavam diante do inesperado. Mas, hoje essa frase tem um destinatário especial: Você! Essa frase é suficiente para encerrarmos a nossa conversa da semana, porque ela diz tudo. Mas, não se preocupe que eu não vou fazer isso; até porque, essa frase do Senhor deve nos levar a refletir sobre uma pergunta que já ouvi algumas vezes: “Por que eu tenho problemas, mesmo estando em Cristo?”; e, completam: “Eu achei que Ele me livraria de todos os males! Afinal, eu busquei a Deus e uma igreja para melhorar a minha vida e não para piorá-la!”.

E, todas as vezes que me deparo com esses questionamentos, tenho a certeza que pensar assim é ter uma idéia muito simplista sobre o poder de Deus e o que esse poder pode fazer na sua vida. Mas, antes de passarmos a uma análise mais profunda dessa questão, é preciso ressaltar que a frase “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!” (Mt 14,27) completa toda dinâmica da multiplicação dos pães e dos peixes; é por isso que Mateus nos apresenta a narrativa da travessia do mar da Galileia recheada de cenas supranaturais e com um conteúdo nitidamente simbólico. E, isso não acontece por acaso;

Até porque, depois da partilha dos pães e peixes que foram multiplicados por Jesus, o Senhor toma três ações distintas: Primeiro Ele manda os discípulos de barco para atravessar o Mar da Galileia e ir até Betsaida; depois despede a multidão; e, por fim, sobe a montanha para orar. Desses três momentos, escolho o primeiro para a nossa conversa: Os discípulos no barco, no meio do mar da Galileia, encontraram dificuldades devido ao vento contrário.

O “mar”, no texto de Mateus, representa o caos ameaçador que deve ser enfrentado por cada um de nós. É por essa razão que Jesus, andando sobre esse mesmo mar, chega até eles e se afirma como Aquele que partilha os pães e indica o caminho da superação do caos.

Porém, mesmo o Senhor sendo tão claro, os discípulos não conseguem entender a abrangência da Sua mensagem; e relevam toda a simbologia apresentada por Jesus.

É por isso, que hoje quero falar com você, especificamente com você, sobre as lutas que temos na nossa vida; lutas que sempre envolvem terceiros com temperamentos e personalidade diferentes dos nossos; aquilo que já falei, nós temos um tendência a achar que “o culpado de grande partes das coisas que nos acontece é sempre o outro”; mas, não é assim, então deixe de olhar para o outro, deixe de reclamar e constate que grande parte dos seus problemas podem ser resolvidos, ou quiçá, amenizados através de uma harmonia profunda com Jesus.

E, isso não é uma invenção da minha cabeça; até porque, para aquele que está em Jesus, os problemas ocasionais servem para mantê-lo em Cristo, depender D’Ele e permitir que Ele possa tranqüilizar o seu coração. Uma coisa é enfrentar a vida sozinho e sem qualquer parâmetro; outra coisa é enfrentar a vida com Deus no nosso lado.

E, por isso que devemos reconhecer a importância de Deus, buscando tomar para si à promessa de Deus que por mais de 20 séculos faz a todos nós: Que vamos receber do Seu Santo Espírito todas as condições necessárias para seguir em frente e nos transformarmos em embaixadores de Jesus, visando concretizar o Seu plano maior: À transformação do mundo.


Na verdade, o que Deus promete a mim e a você, é que além dos obstáculos, tribulações e decepções, vamos ter uma vida também recheada de soluções para que possamos alcançar a tão sonhada felicidade, sem nada temer, pelo simples e relevante fato de que “eu sei em quem eu tenho crido” (II Tm 1,12); então se você sabe em quem tem crido receba do Senhor uma dose extra de confiança, quando Ele nos diz “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!”.


Rev. Antonio Bastos




terça-feira, 9 de agosto de 2011

O que Deus fez, faz e fará na nossa vida

Hoje vamos falar de um encontro; mas não é um encontro qualquer, é o encontro relatado por Mateus (Mt 3, 13 a 17) que descreve o batismo de Jesus por João Batista no rio Jordão. Mas, antes de falarmos desse encontro singular, faz-se necessário ter em mente que João Batista foi àquele que anunciava aos quatro cantos a proximidade do “juízo de Deus”;

E porque isso é importante? Porque, a mensagem de João Batista estava centrada na urgência da conversão; até porque, na opinião de João Batista, a intervenção definitiva de Deus na história para destruir o mal estava iminente; por isso ele incluía um rito de purificação pela água, que era um rito muito freqüente, aliás, entre alguns grupos judeus daqueles dias.

Ou seja, na perspectiva de João Batista, as pessoas deviam se arrepender e buscar um novo caminho; e foi para chamar às pessoas a esse arrependimento que João batizava na água. Até porque, na perspectiva de João, recusar a conversão significava ser destruído pela cólera de Deus, como a palha queimada pelo fogo.

O que é que Jesus tem a ver com isto? Qual o sentido leva o Filho de Deus a se apresentar a João Batista para receber o “batismo” de purificação, de arrependimento e de perdão dos pecados? A resposta fica muita clara, quando constatamos que para Mateus, o batismo é um momento privilegiado da manifestação de Jesus a humanidade: Antes de começar a sua atividade, Jesus Se define como humano e Se apresenta verdadeiramente às pessoas… E, para entendermos bem isso, podemos dividir o relatado de Mateus (Mt 3, 13 a 17) em duas partes: O diálogo entre João e Jesus (vers. 14-15) e a manifestação de Jesus como Filho de Deus (vers. 16-17).

O diálogo entre João e Jesus (vers. 14-15) explica porque é que Jesus vem ao encontro de João Batista para ser batizado… Pela resposta de Jesus, fica claro que o Seu batismo é um passo necessário, é uma condição essencial para que se cumpra o desígnio salvador de Deus (“convém que assim cumpramos toda a justiça”)… Na verdade, o cumprimento da “justiça” equivale, no contexto da teologia mateana, ao cumprimento da vontade de Deus (Mt 5,6.10.20;6,1.33;21,32).

Na verdade, Jesus Se apresenta, assim, como o “Filho”, que cumpre rigorosa e absolutamente a vontade do Pai (na cultura semita, a obediência era aquilo que definia a relação entre um filho e um pai… “Cumprir a justiça” em relação ao Pai era para um filho lhe obedecer incondicionalmente).

Por isso que, ao observarmos mais atentamente o exemplo de João Batista, podemos constatar o tamanho da nossa responsabilidade em demonstrar através das palavras e principalmente das nossas ações, que viver com Jesus Cristo significa, indubitavelmente, ter vida plena. E, que para colocar isso em prática devemos definir qual a nossa prioridade.

E, observando isso, lembro das palavras de William Shakespeare que disse: “O tempo é muito lento para os que esperam; é muito rápido para os que têm medo; é muito longo para os que lamentam; é muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eternidade...”

Com isso Deus nos diz, textualmente, que devemos descer do muro e tomar uma posição clara sobre a inabalável certeza de que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13,8). Ou seja, Deus nos pede, através do exemplo do batismo de Jesus, que juntos possamos valorizar tudo aquilo que Ele já fez, faz e, certamente fará na nossa vida.

Mas isso só não basta é preciso bater no peito e dizer: “Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel. A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor, justo juiz, e não somente a mim, mas a todos os que anseiam pela sua vinda” (I Tm 4, 7-8).

Rev. Antonio Bastos





Investir em um relacionamento com Deus


Hoje quero ressaltar a importância de viver na presença de Deus; e, isso faz uma enorme diferença. E, porque estou falando isso? A resposta é muito simples: O comportamento de José e Maria que foi descrito por Mateus (Mt 2,13 a 15 e 19 a 23) demonstra que mesmo se não houvesse nenhuma vantagem em nos aconchegarmos a Deus, nem tampouco nenhuma promessa divina de proteção, de perdão, de felicidade permanente, entre outras, ainda assim haveria benefícios na manutenção de um relacionamento intimo e pessoal com Deus.

Por isso e por muito mais, devemos buscar ser um exemplo vivo daquilo que Mateus afirma, nessa parte do Evangelho: Que um relacionamento com Deus é algo tão maravilhoso e de qualidade superior que concede a força necessária para vencer todos os males, desde que possamos observar os caminhos que Senhor nos apresenta. E, por incrível que possa parecer, esta verdade pode acontecer perfeitamente na sua família (se é que já não acontece!).

E, se você duvida dessa minha afirmação, vou apresentar apenas dois destes benefícios: Benefícios para a própria família - Estar ao lado de Deus envolve, invariavelmente, em uma transformação; uma transformação na forma de agir, de ver e viver a vida; uma transformação de ações e, principalmente, de reações. Porém, para que possamos formalizar essas transformações, faz-se necessário buscá-LO e ouvir Ele nos dizer, em alto e bom som: “vem! E quem ouve diga: Venha! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Ap 22,17); e,

Benefício para a vida pessoal - Não precisamos ir muito longe, basta olhar para o lado e vamos constatar, através de observações de fatos reais, que quando estamos ao lado de Deus mudam as companhias e conseqüentemente as influências; mudam os locais indesejáveis e de situações embaraçosas. Damos mais valor a saúde, amizade e a própria família. Além disso, há uma busca pela integridade, alegria de viver, disposição para o trabalho, harmonia no lar e equilíbrio nos relacionamentos. É com Deus que encontramos paz e a serenidade, ainda que em meio a situações adversas, dos problemas ou decepções.

Ou seja, estar com Deus nos inunda de uma esperança que nunca desvanece e nos conduzem a ações e atitudes que enobrecem a humanidade, uma irmandade que forma uma grande família, comunhão, fé, oração, o desejo pelo bem do próximo. Tudo isto já seriam motivos mais que suficientes para se investir pesadamente em um relacionamento íntimo e pessoal com Deus. Assim, como fizeram José e Maria.

E, tudo isso acontece, porque essa transformação é o objetivo maior de Deus para a nossa vida, mesmo sendo ela recheada de falhas e incredulidade; pois, “os sãos não necessitam de médico, mas sim, os doentes;” (Mt 9,12).

Assim, tenha a certeza que Deus quer nos proteger a nossa família, exatamente como fez com a família de José; e, essa vontade de Deus acontece porque Ele tem um plano para mim e para você exatamente como tinha para Jesus; um plano revolucionário, um plano lastreado no tamanho do Seu poder que pode transformar corações e restaurar vidas.

Na verdade, exatamente como ontem, é imperioso repetir a parte do Evangelho de Mateus que delineia a grande certeza da humanidade: Que Jesus é a única estrada que poderá nos reconduz à aliança definitiva que foi por Deus proposta quando disse: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Ex 6,7).











quinta-feira, 5 de maio de 2011

A ação do Messias a ser enviado de Deus

 
Quero trazer para a nossa conversa de hoje um comentário que recebi de uma pessoa que me é muito cara: “Realmente se Deus não está em nossa vida ela se transforma num “forrobodó”. Sua dança é “forró” (for all – para todos). É melhor a gente deixar que Ele nos conduza em Sua dança que deixar a vida nos dar um “baile”.


Esse comentário nos leva a entender o escopo das palavras do Senhor Jesus relatadas por Mateus (Mt 11,2-11), base das nossas conversas dessa semana; palavras que são melhor absorvidas quando divididas em duas partes: Na primeira, Jesus responde à pergunta de João Batista afirmando que é o Messias, o Enviado de Deus; e, na segunda, temos a apreciação que o próprio Jesus faz da figura e da ação profética de João Batista (vers. 2 a 6);
Mas, será que podemos constatar que Jesus realmente tinha a consciência que era o Messias? A resposta é obviamente positiva; e isso fica muito claro quando constatamos que Jesus fundamenta a Sua resposta recorrendo ao conjunto de citações de Isaías que definem, na perspectiva dos profetas, a ação do Messias a ser enviado de Deus, vamos a elas: O Messias daria vida aos mortos (Is 26,19), curaria os surdos (Is 29,18), faria os cegos verem, daria liberdade de movimentos aos coxos (Is 35,5-6); e, o mais importante, anunciaria, em alto e bom som, a Boa Nova de Deus ao mundo (Is 61,1). Ufa!

Ora, observando tudo isso e fazendo uma retrospectiva do Ministério de Jesus, não resta dúvida (pelo menos para mim) que Jesus realizou estas obras (Mt 8 e 9). E, Ele fez tudo isso porque é (assim mesmo no presente) o Messias, Àquele que foi enviado para libertar a humanidade e para concretizar o “Reino de Deus” na nossa vida; para através do Seu Ministério fazer a diferença, tendo em vista que Suas palavras, ações e reações têm o condão de mudar a nossa forma de ver e viver no mundo.

Na verdade, a mensagem do Senhor e a forma que Ele agiu e reagiu contêm nada mais nada menos, do que a proposta libertadora que Deus faz a humanidade hoje século XXI; por essa razão, Mateus apresenta Jesus afirmando, não com palavras, mas com ações que é O envidado de Deus. E, esse complexo demonstra que Jesus veio ao mundo não para condenar, mas para salvar a humanidade.

Isso demonstra pelo menos para mim, que diante da oferta de salvação feita por Deus através do Ministério de Jesus, cada a cada um de nós fazer a nossa escolha e assumir a responsabilidade por ela. Até porque, quando o ser humano aceita a proposta de Jesus e adere as Suas premissas, escolhe a vida definitiva; mas, quando prefere continuar cativo de esquemas de egoísmo e de auto-suficiência, rejeita a proposta de Deus e se auto-exclui deste maravilhoso projeto que tem como objetivo maior resgatar vidas e restaurar corações; ou seja, a tão falada salvação.

Mateus demonstra que a salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, uma prenda ou um castigo que Deus concede ao ser humano pelo seu bom ou mau comportamento; elas são o resultado do livre arbítrio e a conseqüente escolha, face à oferta diária e incondicional feita por Deus. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai, assim, sobre Deus, mas sobre o ser humano. E, quando falamos em morte não estou falando necessariamente em morte física.

Assim, cabe a nos escolher e assumir a responsabilidade pela nossa escolha; mesmo inseridos numa sociedade onde cada vez mais estamos (e quando digo estamos falo de todos nós) fomentando a concorrência e a superação do próximo, Deus está nos propondo agora uma troca de paradigmas, que será imprescindível ao nosso equilíbrio.

E, para nos incentivar a realizar essa troca Ele esta nos dizendo: Meu filho amado “confia no SENHOR e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado. Deleita-te também no SENHOR, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele tudo fará” (Sl 37,1 a 5).

domingo, 24 de abril de 2011

FELIZ PÁSCOA, CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!!!!

O termo “páscoa” deriva da palavra hebraica “pesah”, que significa passar por cima, pular além da marca ou passar sobre. Quando Deus ordenou ao anjo destruidor que eliminasse todo primogênito na terra do Egito, a casa que tivesse o sinal do sangue do cordeiro não seria visitada pela morte (Êxodo 12,1-36).


Porém, hoje eu quero convidar você a festejar a o cumprimento da Promessa de Deus! É exatamente assim que convido você a entender Páscoa. Porque a Páscoa é a grande revelação do amor de Deus pela humanidade; e, principalmente, por cada um de nós individualmente. Até porque, o maior motivo de comemoração para os cristãos é que na Páscoa foi o dia em que nossos pecados foram perdoados; na Páscoa foi o dia em que o homem foi comprado por um preço muito alto e esse preço foi a vida do próprio filho de Deus, Jesus Cristo, que morreu para que todos nós pudessem ter vida eterna através D’Ele.

Jesus morreu, não resta dúvida. Mas, Jesus também ressuscitou; e, esse é o nosso maior motivo de orgulho, é isso que comemoramos na Páscoa. Jesus nos trouxe a paz. Porém, devemos pensar que Jesus não morreu para fazer Deus nos amar. Na verdade, Jesus não comprou o amor de Deus pelos pecadores. Foi exatamente o contrário: O amor Deus fez Jesus morrer por nós. Jesus foi, é e sempre será o canal pelo qual o amor de Deus nos alcançou.

A morte de Jesus foi o ato voluntário da vontade de Deus, pois a Sua obediência até a morte não foi uma obediência forçada, mas sim uma obediência voluntária e amorosa, mas devemos ter consciência que Jesus não morreu por acaso. É por isso que o nosso dever maior, por pior que pareça a situação, é focar sempre no domingo, lutando contra o pessimismo da sexta-feira.

Por isso, hoje sábado, devemos nos alegrar nesta certeza; pois, a alegria é o real significado da palavra Páscoa, passar por cima, pular além da marca ou passar sobre tudo aquilo que nos separava de Deus. E, para que possamos concretizar tudo isso na sua vida basta ter o coração e mente bem abertos a tudo aquilo que Deus planeja para a nossa vida.

Então só me resta desejar de todo o meu coração pra você e para todos os seus uma feliz Páscoa!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conviver com Deus

Durante toda essa semana, que é a semana mais importante do ano, nos vamos falar de um momento muito especial no Ministério de Jesus; um momento emblemático e que nos traz uma lição impar sobre a nossa forma de agir e, principalmente, de reagir diante das situações adversas que teimam em acontecer na nossa vida. E, para isso, o nosso texto base é Mateus 26,36 a 56.

Para um perfeito enquadramento no tempo e no espaço, é necessário saber que os fatos narrados por Mateus acontecem logo depois de terminado a Festa da Páscoa; Jesus resolve atravessar o vale com os discípulos e foi para o monte das Oliveiras. Muitas vezes Ele tinha se retirado para aquele monte e ia até o jardim do Getsêmani para descansar, orar e ter momentos de comunhão com os discípulos, muitas vezes também passando a noite ali;

Porém, essa noite era diferente; o clima estava pesado, pois, Ele estava bem consciente do que lhe esperava. Jesus já sabia que tinha sido traído por um de seus seguidores mais próximos, vendido por 30 moedas de prata. Jesus também sabia que o impetuoso Pedro o negaria três vezes antes de o galo cantar na manhã seguinte; os demais apóstolos se espalhariam como ovelhas sem pastor; Ele passaria pela farsa de um julgamento, seria despido, açoitado, esbofeteado e por fim crucificado. Sabendo plenamente tudo o que estava para acontecer, Jesus procurou um lugar solitário para falar com Deus.

Jesus deixou oito dos discípulos na entrada do jardim e disse: “Sentem-se aqui, enquanto eu vou até ali para rezar” (Mt 26,36); e, levou Pedro, Tiago e João com Jesus para o jardim. Então aconteceu aquela espantosa e misteriosa agonia: Ele começou a ficar profundamente triste, como se estivesse para morrer. Jesus se virou para os três e disse: “Minha alma está numa tristeza de morte. Fiquem aqui e vigiem comigo” (Mt 26,38). Afastando Jesus só um pouco deles, caiu com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26,39).

Essa oração de Jesus ressalta que o conviver com Deus exige certa dose de esforço e renúncia; e, que mesmo assim, devemos buscar, sempre, seguir os Seus parâmetros, fazendo que Ele seja algo necessário e imprescindível e não um mero luxo adicional na nossa vida. É exatamente nesta hora que Deus espera que possamos afirmar, exatamente como fez Cristo: “Eu estou ao teu dispor para onde tu quiseres me enviar me coloco submisso a ti Senhor para o teu querer em mim realizar”.

Porém, Jesus sabia que essa troca não seria fácil; como ainda não o é hoje; até porque, no nosso caso, essa troca representa ir contra tudo aquilo que somos doutrinados, pelo mundo moderno, a fazer, que é: pensar primeiro em si mesmo e sobrando espaço pensar mais um pouco em si mesmo; por isso, digo sem medo de errar, que devemos ter a certeza que Deus tem a capacidade (e a competência) de realizar uma transformação total e radical na nossa vida, basta abrir a porta do nosso coração para Ele.

E, essa transformação fatalmente nos levará a perguntar de todo o nosso coração: “Senhor, que queres que eu faça? Desejo ardentemente que a tua vontade seja feita na minha vida”. Tendo consciência disto, devemos procurar trazer respeitabilidade aos nossos discursos e as nossas ações, fugindo da teoria proclamada – onde o nosso discurso não tem qualquer relação com os nossos atos. Ou seja, temos que seguir o exemplo de Cristo e buscar ter no coração a máxima de que “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fl 4,8).

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ser interpelado por Jesus



O Evangelho de João (Jo 4, 4-26) nos fará gravitar junto de um poço, na cidade samaritana chamada Sicar; neste local Jesus, que estava de passagem, parou para descansar e encontrou uma mulher que veio tirar água. E, Jesus aproveitando a situação, inicia uma conversa, desafiando a mulher a mudar sua vida e seu destino.

E, esse cenário me fez lembrar que na última terça-feira (22/03) comemoramos o dia mundial da água. O dia mundial da água é um marco internacional para chamar a atenção para a conservação de água pura e por um manejo sustentável desse recurso natural. E essa comemoração tem toda relação com o Evangelho de João.

Esse episodio da vida de Jesus nos concede o privilégio de aprender com uma mulher que foi buscar água e encontrou a fonte da vida eterna que foi disponibilizada pelo Filho de Deus, que estava descansando junto ao poço de Jacó.

Para uma compreensão dessa parte do texto de João, é necessário ter em mente que existia uma animosidade entre samaritanos e judeus. Historicamente, essa antipatia começou quando, em 721 a.C. a Samaria foi tomada pelos assírios, que começaram a se misturar com a população samaritana. E, esse fato, fez com que os judeus formassem uma opinião que os habitantes da Samaria começaram a se paganizar (II Re 17,29);

A relação entre as duas comunidades se deteriorou ainda mais quando, após o regresso do Exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos (Ex 4,1-5) para reconstruir o Templo de Jerusalém (ano 437 a.C.). Por tudo isso, os judeus desprezavam os samaritanos e os consideravam hereges em relação à pureza da fé judaica; e os samaritanos pagavam aos judeus com um desprezo semelhante.

Mas, vamos voltar à cena: Como tinha dito, os diálogos passam-se à volta do “poço de Jacó”, situado no rico vale entre os montes Ebal e Garizim; aquele era um poço estreito, aberto na rocha calcária, e cuja profundidade ultrapassa os 30 metros; e, que segundo a tradição, teria sido aberto pelo patriarca Jacó. Jesus estava ali porque como qualquer ser humano, estava cansado e com sede por conta da viagem que era feita a pé; por essa razão, Ele parou junto ao poço para descansar enquanto seus discípulos foram buscar comida.

Durante esse período de descanso, uma mulher veio tirar água do poço e Jesus lhe ofereceu a oportunidade de servir ao mais nobre homem da história do mundo. Nunca passou alguém igual através da cidade dela. Mesmo diante de todo o Seu poder, Jesus, simplesmente pediu a ela um pouco de água.

Imagine a cena: Ao ser interpelada por Jesus aquela mulher ficou surpresa com seu pedido e pensou: Ali estava um judeu que reconhecia que ela existia. Ela, uma humilde mulher samaritana que teria sido ignorada e tantas vezes desprezada pela maioria dos homens judeus, imediatamente reconheceu que havia algo diferente com aquele viajante.

E, a conversa que se seguiu foi um exemplo marcante de como Jesus ensinava as pessoas a usarem uma linguagem diferente: Quando Jesus pediu água, a mulher naturalmente pensou em água do poço. Porém, Jesus imediatamente direcionou a conversa para assuntos espirituais. Se ela entendesse a dádiva que Deus estava lhe concedendo; e, se soubesse com quem estava falando, ela teria a consciência que a água que Cristo estava falando era a água espiritual, e não material.

E, isso demonstra que o Ministério de Jesus é o meio regular (aqui um adjetivo de dois gêneros, significando: Conforme as regras, as leis, as praxes, a natureza e bem proporcionado, harmonioso), por onde Deus procura transformar a vida das pessoas. Mas, para concretizar essa transformação se faz necessário prestar atenção nas palavras do Senhor.

Assim, nessa segunda-feira quero que você tenha a convicção que o Deus das bênçãos é melhor do que as bênçãos de Deus; e, a intimidade de Deus é o combustível necessário para seguirmos em frente cumprindo os Seus desígnios, na certeza de que Ele pode transformar água em vinho e que os problemas não vêm para nos afastar de Deus, mas para nos levar, cada vez mais, à presença D’Ele.
E, a nossa necessidade de estarmos na Sua presença é uma só: Ela, a necessidade, fomenta a força para continuarmos, mesmo nas situações adversas, a buscar um mundo melhor, tendo a certeza de que “somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou” (Rm 8,37) e “que passarão os céus e a terra, mas que as minhas palavras não passarão” (Mt 24,35).